MEMÓRIA DE VERA MARCA HOMENAGEM NO CREAS E REFORÇA ALERTA CONTRA O FEMINICÍDIO EM ELDORADO
Em ato marcado por emoção, prefeita Fabiana Lorenci, vice-prefeita Simoni Palonis, servidoras e familiares lembraram a trajetória de Vera Lúcia da Silva, servidora do CREAS morta pelo ex-marido em abril; filhas da vítima acompanharam a homenagem.
Eldorado (MS) – O encerramento das ações do Agosto Lilás em Eldorado ganhou um significado especialmente doloroso e simbólico. No átrio do prédio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a memória da servidora Vera Lúcia da Silva, vítima de feminicídio em abril deste ano, foi homenageada em uma cerimônia marcada pela emoção de familiares, colegas de trabalho e representantes da administração municipal.
As filhas de Vera, Letícia e Aline estiveram presentes durante o ato. Em meio às lembranças da servidora e às manifestações de combate à violência contra a mulher, houve forte comoção. Servidoras choraram e a prefeita Fabiana Lorenci também se emocionou ao falar sobre a ausência deixada pela funcionária e sobre a necessidade de reconhecer os sinais de violência antes que eles terminem em tragédia.
Em publicação nas redes sociais, Fabiana definiu a homenagem como um momento de memória, respeito e saudade e afirmou que a história e a presença de Vera permanecem vivas entre aqueles que conviveram com ela.
UMA AUSÊNCIA TRANSFORMADA EM ALERTA
Ao falar durante a homenagem, a prefeita relacionou a lembrança de Vera à necessidade de não ignorar indícios de violência contra mulheres.
“A gente tá encerrando o Agosto Lilás fazendo o mínimo que nós poderíamos fazer. A gente precisa pensar, e não omitir, e não fechar os olhos. Quando a gente vê os sinais. Não quando a gente vê já, mas os sinais, porque são dados sinais da violência”, declarou Fabiana.
A vice-prefeita Simoni também se manifestou e destacou a importância da união entre as mulheres e do enfrentamento à violência.
“Nós mulheres, a gente tem que se defender, a gente tem que se unir, a gente tem que reverter isso e mudar. Porque não vou passar pano, não vou falar que ‘ah, foi por isso, foi por aquilo’. Eu tô indignada com o que aconteceu com a Vera”, afirmou.
“EU PREFERIA ELA VIVA”
Um dos momentos mais sensíveis da homenagem ocorreu quando Letícia, filha de Vera, tomou a palavra. Ao agradecer à Prefeitura e às pessoas envolvidas na homenagem, ela falou sobre a importância da mãe para a família e deixou uma frase que traduziu a dimensão da perda.
“Quero agradecer a todos da Prefeitura que estão fazendo esta homenagem à minha mãe. Ela era luz na vida de todos nós. Eu preferia não estar fazendo essa homenagem, preferia ela viva”, disse Letícia.
A declaração trouxe para o centro da cerimônia a perspectiva da família que permanece convivendo com as consequências do crime. Mais do que uma lembrança institucional, o ato passou a representar também a saudade das filhas e de todos aqueles que mantinham uma relação próxima com Vera.
“A MEMÓRIA DELA NÃO PODE SER ESQUECIDA”
Em uma das falas mais emocionadas do ato, Fabiana lembrou especialmente a relação de Vera com as filhas e o vazio provocado por sua morte.
“Porque a Vera nunca deixou de estar junto com as filhas. E principalmente com a pequena. Então, é uma presença intransferível. Pra que toda vez que alguém entre aqui, lembre-se dela, porque a memória dela não pode ser esquecida!”, disse a prefeita se referindo a placa fixada na parede da entrada principal do CREAS.
A homenagem realizada no local onde Vera trabalhou transforma sua lembrança também em uma mensagem permanente de conscientização. O gesto ocorre justamente durante o Agosto Lilás, período dedicado nacionalmente à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Para as pessoas que acompanharam a cerimônia, porém, a pauta ultrapassou números, campanhas e discursos. No CREAS de Eldorado, a violência contra a mulher tem nome, história, colegas que ainda se emocionam ao lembrá-la e filhas que convivem com uma ausência definitiva.
Vera Lúcia da Silva permanece na memória de quem trabalhou e viveu ao seu lado. Sua história, agora lembrada dentro do próprio CREAS, também reforça uma advertência coletiva: sinais de violência precisam ser reconhecidos, denunciados e enfrentados antes que novas vidas sejam interrompidas.
O Fatos & Rumores continuará acompanhando as ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Eldorado e região, preservando a memória das vítimas e destacando iniciativas de prevenção e proteção.












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