CÂMARA ABRE CPI PARA APURAR TRANSPORTE UNIVERSITÁRIO EM NOVA ALVORADA DO SUL

CÂMARA ABRE CPI PARA APURAR TRANSPORTE UNIVERSITÁRIO EM NOVA ALVORADA DO SUL
Foto Divulgação

Comissão investigará termo de fomento firmado com a AEUNAS e contrato de prestação de serviços após recomendação do Ministério Público e operação contra suspeitas de desvio de recursos.

Nova Alvorada do Sul (MS), 4 de agosto de 2026 – A Câmara Municipal abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a aplicação de recursos públicos destinados ao transporte de estudantes universitários. A medida ocorre após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul limitar repasses relacionados ao serviço e deflagrar uma operação para apurar suspeitas de irregularidades.

O requerimento para criação da comissão recebeu a assinatura de quatro dos 11 vereadores do município: Roberto Duarte, Rones César, Rodrigo Ortega e Andrea Fernandes Fim.

CONTRATOS SERÃO INVESTIGADOS

A CPI deverá analisar o Termo de Fomento nº 001/2026, firmado entre a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul e a Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul (AEUNAS).

Também será investigado o contrato mantido pela entidade estudantil com a empresa Anjos Transporte e Turismo Ltda., responsável pela prestação do serviço de transporte universitário. A apuração deverá avaliar a celebração do ajuste, a formação dos preços, a execução financeira e a fiscalização dos serviços.

MINISTÉRIO PÚBLICO LIMITOU REPASSES

Em junho, a promotora de Justiça Fernanda Rottili Dias recomendou a redução e a limitação imediata dos gastos relacionados ao transporte dos universitários.

De acordo com o Ministério Público, o município havia repassado R$ 720 mil à AEUNAS durante os dois primeiros meses da parceria. O termo de fomento previa um valor total de R$ 2,4 milhões, deixando naquele momento um saldo de R$ 1,68 milhão a empenhar ou pagar.

O documento ministerial também comparou os valores previstos em Nova Alvorada do Sul com os gastos de outros municípios. Conforme os dados apresentados, Maracaju destinava R$ 1,2 milhão para trajetos semelhantes, Amambai previa R$ 510 mil em 2026 e Jardim aproximadamente R$ 156 mil.

Diante da diferença identificada, o Ministério Público recomendou a adoção de medidas cautelares para evitar possíveis prejuízos aos cofres públicos. Novas liberações de recursos deveriam ficar condicionadas à prestação de contas do mês anterior e à apresentação de documentos que comprovassem a execução efetiva dos serviços.

Entre os documentos exigidos estavam registros de quilometragem, diários de bordo, notas fiscais de combustível e listas de frequência assinadas pelos estudantes transportados para instituições de ensino localizadas em Campo Grande e Dourados.

OPERAÇÃO ROTA DESVIADA

O caso também é investigado no âmbito da Operação Rota Desviada, deflagrada em 19 de maio de 2026 pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Durante a operação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Nova Alvorada do Sul e Dourados, em Mato Grosso do Sul, além de Fernandópolis, em São Paulo, e Ituiutaba, em Minas Gerais.

Segundo o MPMS, os investigados teriam utilizado a AEUNAS para movimentar recursos públicos destinados ao transporte universitário. A apuração analisa suspeitas de que parte dos valores teria sido transferida em benefício de servidores públicos e integrantes do Legislativo municipal.

A investigação apura possíveis crimes de peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As suspeitas ainda estão em fase de apuração e não representam condenação dos envolvidos.

A CPI municipal deverá reunir documentos, ouvir responsáveis e esclarecer como foram definidos e executados os valores destinados ao serviço. O Fatos & Rumores continuará acompanhando os trabalhos da comissão e os desdobramentos das investigações conduzidas pelo Ministério Público.

    

Com informações do Investiga MS